O que podemos fazer além de lamentar a tortura e morte de jornalistas, juíza, policiais, além de centenas e centenas de cidadãs e cidadãos? A morte do repórter cinematográfico Gelson Domingos é a triste demonstração que os jornalistas brasileiros pagam até com a própria vida para denunciar a violência que domina o Rio de Janeiro e outras importantes localidades do País. Os jornalistas têm feito a sua parte, mesmo sob o risco de perder a própria vida. Tudo para denunciar que a sociedade democrática está na linha de tiro do crime organizado e as populações de favelas e morros entregues ao poder do tráfico e das milícias, que já “expulsaram” do país até um deputado federal ameaçado de morte. Gelson é mais um de uma extensa lista de vítimas da violência carioca, que avança à medida que o Estado Democrático não age, nem reage à altura.
Se enganam os que acham que as Olimpíadas ou Copa do Mundo podem sofrer ameaças apenas por atrasos em obras. A maior ameaça à realização de eventos esportivos assim é a violência. O clima de insegurança pode afugentar turistas e até atletas e demonstrar ao mundo o risco que significa visitar o Brasil por sua principal porta de entrada de turistas: o Rio de Janeiro.
O que se espera é que a morte de mais um colega da imprensa brasileira não seja em vão. Não podemos mais assistir a morte de pessoas sem que uma verdadeira política de segurança seja implantada. Lógico que todo o cuidado com coberturas assim se faz necessário, mas não podemos negar que o risco é inerente a quem visita uma “zona de guerra”, no que aliás parece ter se transformado algumas regiões do Rio de Janeiro.
A Federação Nacional dos Jornalistas manifestou sua solidariedade aos parentes e amigos de Gelson Domingos, assim como todas as entidades de defesa dos jornalistas no Brasil, mas elas também cobram do Governo do Rio de Janeiro medidas mais eficazes para garantir o direito dos jornalistas e dos cidadãos à segurança pública.